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quinta-feira, 11 de junho de 2009

DLP-VIII



CAPÍTULO VIII 

OS ALICERCES DAS SEITAS PROTESTANTES


Já conhecemos bem a vida de Lutero, para lhe podermos agora apreciar a obra. 

Rompeu ele com Roma, intitulando-a o “Anticristo!. Ora, se Roma, ou a antiga Igreja fundada por Jesus Cristo sobre Pedro, era, para Lutero, o Anticristo, afim de poder reformá-la e fundar a “sua seita”devia ele em tudo contradizer a instituição multissecular dos Papas. Por isso, a base do sistema da reforma foi: a NEGAÇÃO DE ROMA E DE TUDO O QUE ELA ENSINA. 

Um reformador sensato teria aceitado a doutrina católica e, após diligente exame, expurgá-la de tudo o que julgasse alheio à verdade. 

Lutero, porém sendo um insensato, um obsesso, um desequilibrado como estamos fartos de verificar, foi, pois, em tudo fiel ao seu gênio orgulhoso e extremista, começando pro se opor, de modo absoluto, à Igreja Católica. 

Se, para ele, no paganismo, no budismo, no islamismo, ao lado de erros podia haver coisa boa, no Igreja Católica tudo era ruim, perverso, e nada se aproveitava. 

Desde que Roma dizia: branco, Lutero exclamava: preto. Se a Igreja ordenava, Lutero proibia, de modo que a verdadeira definição de protestantismo de Lutero é: A NEGAÇÃO DE TUDO O QUE É DE ROMA E DE TUDOS O QUE ROMA ENSINA. 

Lutero quis fundar uma nova Igreja. Não se contentou, pois, somente com destruir o que encontrara: a negação não é realidade, é falta, ausência, e, como tal, não se sustenta por si; era-lhe preciso, pois, algo positivo para fundamento da reforma. 

OS PRIMEIROS PROJETOS 

Ao principiar sua reforma, Lutero tencionava unicamente contradizer o Catolicismo, sem pensar em qualquer organização definitiva. 

Organizar uma igreja luterana: eis dois termos contraditórios, porquanto aquilo que implica subversão, prega anarquia e geral revolta jamais se pode chamar sociedade perfeita. 

Vendo o bom resultado de seu sistema de interpretação da Bíblia, o frade começou então a pensar num sistema, numa organização religiosa. 

A Igreja Católica com sua harmoniosa e bela hierarquia, sendo uma sociedade divino-humana, visível, independente dos poderes temporais, regida por Deus por intermédio do sucessor de São Pedro, a quem o Cristo havia confiado as chaves do reino de Deus, e a quem dera o poder de ensinar, de perdoar e dirigir, não podia ter equivalente, nem ser copiada; o que iria fazer o monge revoltoso?... Como executar o seu projeto?... 

Lutero refletiu, e o demônio, seu fiel inspirador, encaixou-lhe na cabeça um tipo de igreja ideal que consistiria numa união fraternal de crentes, conhecidos só por Cristo, a quem teriam por doutrinar e guia único. Para os adeptos bastaria a Bíblia; ela traria para cada um a inspiração direta do Espírito Santo. 

Tal é a primeira ideia-mãe do “reformador” e respeito da nova igreja. 

Começou ensinando: a igreja exterior é coisa do diabo. Jesus Cristo trabalha é interiormente, e nem de longe se pode pensar em igreja e em bispos. 

No entanto, Lutero compreendeu logo não ser durável tal coisa, sendo necessário haver, ao menos algum elemento visível na sua instituição.. 

Daí proveio a sua segunda concepção: a duma igreja do povo, um conjunto invisível de fiéis, sob a proteção visível do estado. 

A desilusão não se fez esperar e Lutero viu logo não poder contar com o povo, para seguir a sua doutrina, nem possuía bastante autoridade para e ele impor suas idéias caprichosas. 

Excitar à revolta é fácil... Obter a calma e obediência de um povo insubmisso é dificílimo. 

Pela terceira vez Lutero mudou de parecer e em 1526 pretendeu organizar uma igreja nacional, sob a direção imediata do poder temporal. 

Tal projeto, comunicado pelo inovador aos vários príncipes alemães, granjeou necessariamente a simpatia de muitos deles. 

A Igreja possuía grandes bens na Alemanha; desta sorte, a perspectiva de poderem apoderar-se de tudo o que ela possuía era para as autoridades um fator importante, para aceitarem a fundação da igreja do estado. 

Lutero pediu aos príncipes organizassem a visita religiosa às diversas igreja, para obrigado o povo a adotar o Evangelho. 

Em 1527, sob a direção do reformador, o príncipe João de Saxe publicou a “Instrução regulamentando tal inspeção, reservando-se autoridade imediata sobre as coisas espirituais. 

A igreja nacional tornou-se uma igreja de força, pois a autoridade civil podia coagir os seus súditos a abraçar a religião que ela mesmo professava “CUJUS REGIO, ILLIUS ET RELIGIO”. 

A visita pastoral civil realizou-se pela primeira vez, em 1527, suscitando queixas e lamentos em toda parte. 

Para evitar abusos, foi inventado o cargo de superintendentes, confiado aos pastores das grandes cidades, com o fim de exercer uma vigilância geral sobre a doutrina e a moral. 

Na instrução dos visitadores, em 1527, mencionou-se uma INQUISIÇÃO contra leigos; e esta organização não foi letra morta, pois em 1529, em REINHARDESBRUNN, foram condenadas à morte seis pessoas, por terem abjurado a doutrina de Lutero. 
Este fato fez o protestante Wapples escrever: 

“... os princípios da liberdade evangélica, tão apregoada por Lutero, foram vergonhosamente contrariados por esta inquisição de leigos” (Grisar III 745). 
Eis já um ponto que começa a sobressair nítido, na balbúrdia das doutrinas luteranas. A igreja reformada, dependente do governo, devia ser visitada por duas autoridades: um visitador leigo, em nome do governo, e um superintendente, eleito pelos fiéis, para manter a doutrina. 

Era uma contradição flagrante: a igreja dependente do estado; e este podendo obrigar o povo a adotar a religião por ele professada; e o superintendente ficando simultaneamente encarregado de manter a unidade da fé e da moral. 

São duas autoridades em oposição e luta; são os dois SENHORES a ser servidos, o que é contrário aos ensinamentos de Jesus Cristo. 

Lutero quis fundar uma igrejola sobre uma base diferente da Igreja Católica; a tal fundamento, como se vê, era o poder civil... obra humana, política... oposta à obra do Divino Mestre. 

Basta este início, para se ver que no protestantismo tudo é HUMANO, puramente humano, sem um vestígio sequer de sobrenatural, a nos indicar o céu. 

CONSTITUIÇÃO DO PROTESTANTISMO 

Já nos é bastante conhecida a base sobre a qual Lutero vai estabelecer o seu sistema religioso. 


Antes de tudo cumpria-lhe dar-lhe a feição de exercício público. 

A missa não servia mais; devia, pois, desaparecer. Lutero e Melanchton eram professores: a pregação substituiria o santo sacrifício, e a tribuna tomaria o lugar do altar.



AVANÇO EVANGÉLICO NO BRASIL

AVANÇO EVANGÉLICO NO BRASIL 
E SUAS CONSEQUÊNCIAS 
Não convinha, entretanto, suprimir de repente as cerimônias da Missa, para não se exasperar o povo, a ela tão acostumado. 


Lutero eliminou tudo o que era Sacrifício propriamente dito, conservando as cerimônias exteriores e a língua latina; só em 1526 publicou uma brochura: “A Missa alemã”, modificando tudo, e facilitando a cominho a novas alterações. 

Tal ato era celebrado só aos domingos, para melhor enganar os recém convertidos, ou pervertidos, fazendo-lhes acreditar que entre a religião antiga e a reforma havia unicamente umas mudanças acidentais. 

Tal missa alemã não produziu o efeito que o reformador esperava; sentindo ele mesmo o ridículo da invenção, aos poucos substituiu-a pela leitura da Bíblia e o canto de hinos em comum. 

Lutero não era nem poeta, nem músico, embora gostasse de poesia, música e canto.
Não consta tenha produzido qualquer obra, embora certos autores lhe atribuam a paternidade dos hinos protestantes. 

A grande reforma que Lutero pretendia introduzir e que, de fato, alcançou, se resumiu na leitura exclusiva da Bíblia, sem explicação, deixando toda a interpretação ao critério do leitor. 

Para que isto se efetuasse, era preciso uma tradução popular, simples, ao alcance de todos; o próprio reformador, como já vimos, iniciou o trabalho, terminando-o pouco antes de morrer. 

Num dos primeiros capítulos falamos sobre essa tradução em que os próprios protestantes reconhecem haver muitos e graves defeitos.

A Bíblia Falsificada de Lutero
JERÕNIMO EMSER diz que Lutero vira de tal modo a Bíblia para a fé sem as obras, que no fim não há mais uma coisa nem outra. Ele indica 1.400 falsificações.

JOÃO DIETENBERGER, contemporâneo de Lutero, faz essa apreciação: “O que Lutero não quer, ele o suprime na Bíblia; o que se ajusta com o seu querer ele o ajunta, em prova de seus erros” (Grisar III. 440. nota 1).

PHILIPS VON MARNIX por sua vez escreve: “De todas as traduções em uso nas igrejas protestantes, nenhuma existe que se afaste tanto do texto original, como a de Lutero” (Tubenger Theol.: Quartalschrift, 2848).

O protestante JOSIAS BUNSEN assinala 3.000 passagens falsificadas, e intitula a obra de Lutero a menos exata de todas, embora manifeste o produto de um gênio (F. Nippold: Christian Von Bunser, 1888, III, 183).

Não será sem interesse e proveito assinalarmos aqui alguns dos defeitos encontrados em Lutero, para mostrar como ele respeitava a palavra de Deus, fazendo dela uma arma, não para descobrir a verdade, mas para fortalecimento dos seus erros.

Estas citações mostrarão claramente a má fé visível do monge revoltoso, a perversidade de seus intentos ao usar da Sagrada Escritura.

A palavra JUSTO é substituída pela palavra piedoso.

Noé, Jô, Zacarias, o pai nutritivo de Jesus, José, são todos ele homens piedosos, querendo o reformador provar com tal mudança que eles tiveram a fé em Deus, e que pela fé lhes foi aplicada a justificação de Cristo.

A palavra “IGREJA” é cuidadosa e timidamente evitada, substituindo-a o termo: UNIÃO. 

Na epístola de São Paulo aos Romanos, donde Lutero extraiu os seus erros, ele modificou vergonhosamente o texto do Apóstolo, para adaptá-lo às suas idéias.

O texto diz que o HOMEM É JUSTIFICADO TRAUITAMENTE PELO GRAÇA, POR MEIO DA REDENÇÃO... EM VIRTUDE DE SEU SANGUE, POR MEIO DA FÉ.

Lutero acrescenta maldosamente a palavra “só”, inventada por ele, e traduz: O HOMEM É JUSTIFICADO SÓ PELA FÉ (Rom. III, 28). 

Outra falsificação proposital encontramos no capítulo 8º. Que ele procurou adaptar às suas idéias erradas. 

São Paulo se expressa assim:
DEUS, ENVIANDO SEU FILHO EM CARNE SEMELHANTE À DO PECADO, POR CAUSA DO PECADO CONDENOU O PECADO NA CARNE (Rom 8,3). 

Lutero alterou o texto: POR CAUSA DO PECADO, PELOS TERMOS: “pelo pecado”. 

Vê-se logo a diferença de sentido, que ele introduziu com tal falsificação. O Apóstolo ensina que Jesus Cristo se fez homem, para expiar os pecados dos homens, enquanto Lutero diz que Jesus se fez homem pelo pecado, isto é, nasceu no pecado (para refutar a Imaculada Conceição de Maria). 

A falsificação citada: O HOMEM É JUSTIFICADO SÓ PELA FÉ, SEM AS OBRAS, encontrou grande oposição. Lutero respondeu a seus censores, expondo as suas razões, sem outro fundamento que as suas opiniões e termina grosseiramente exclamando: 

“Os zurros de tais asnos a respeito da palavra: SOLA – só, não merecem outra resposta, senão: Lutero quer que assim seja e o diz: Ele é doutor acima de todos os doutores do papado inteiro. É preciso, pois, que fique nisso. Ao papista, que teimar ocupar-se com a palavra SÓ, É PRECISO RESPONDER: Doutor Lutero quer que assim seja. SIC VOLO, SIC JUBEO, SIT PRO RATIONE VOLUNTAS. Assim eu quero, assim ordeno, a minha vontade é a razão”. 

Como se vê, Lutero é o mesmo de sempre: - o mesmo orgulho, a mesma obcecação, o mesmo ódio a tudo quanto é católico. O que ele era, é e será. 

PROPAGANDAS E VIOLÊNCIAS 


A máxima preocupação do reformador era difundir as suas tolices através da Alemanha inteira. Como vimos, o terreno estava admiravelmente preparado. 

A sua eloquência espetacular, seus gritos de caráter apocalíptico, os versos e cantos populares, os desenhos caricaturescos, a sátira grotesca, tudo ele empregou para fazer triunfarem as suas idéias. 

Ao lado do pervertido se postaram outros, como sói acontecer; se os santos atraem a si a virtude; os perversos são acompanhados pela maldade. 

Melanchton, Justus Jonas, Spalatino, Kang, Johan Buzenhagem, Nicolau von Amsdorf, Wenceslau Link Eclenburg, etc. Foram os primeiros companheiros do reformador. 

Melanchton, sobretudo, foi o seu branco direito. 

Altivo, inteligente, dedicou-se de corpo e alma à obra encetada. Foi ele que corrigiu a tradução da Bíblia, feita por Lutero. 

Em 1521 publicara um volume: “LOCI COMMUNES” ou linhas fundamentais da reforma, no qual expõe o conjunto das doutrinas da nova seita, sob o ponto de vista teológico. 

Lutero assim opinou a respeito deste trabalho: Os milhares de Jerônimos, Hilários e Macários, os santos das Tebaidas e desertos, não são dignos de desligar os sapatos de Melanchton (Grisar II 267). 

Auxiliado por estes ex-padres, ex-monges, e professores a quem soube entusiasmar, fanatizar, Lutero não hesitou, lançou-se à frente, decidido a vencer, custasse o que custasse. 

O sucessor de seu protetor Frederico de Saxe era Johan de Saxe, luterano fanático, que o reformador dominava por completo; deste arrancou um decreto proibindo a pregação católica e impondo a luterana (W. Erl. 53ps 367, 9 de fev. de 1526). 


INTOLERÂNCIA RELIGIOSA - SUPRESSÃO DO SACRIFÍCIO


É suprimida a Missa - Daniel 9,27 - 1 Mac 1,45


Em Wittemberg, na Igreja de Todos os Santos, mau grado os esforços de Lutero, continuava o serviço religioso católico, abuso que Lutero considerava urgente acabar. 

E, 1º. De março de 1533, ele exige do Capítulo a supressão da Missa e das outras cerimônias religiosas, encontrando, porém, viva resistência por parte do Decano e dos conselheiros. 

O próprio Johan de Saxe era contrário a tal medida extrema, para não perder a fundação de missas, feita em benefício de seu pai. 

Lutero insistiu e tomou decididamente posição contra o príncipe, declarando aos conselhos que o príncipe nada tinha a ver com isso. 

“Sabeis”, diz ele, “que São Pedro disse ser preciso obedecer antes a Deus que ao príncipe” (Erl. 53 p. 178) 

Não tendo alcançado a vitória, dirigiu-se ao povo luteranizado do lugar e, numa prédica pública, gritou-lhe: 

“Que temos a ver nisso com o príncipe? Ele só pode mandar em coisas temporais; se persistir, deveremos dizer-lhe; Senhor, fique em seu próprio terreno”. 

Desta vez não conseguiu nada, mas não desanimou. 

Em 17 de novembro de 1524, dirige-se ao Capítulo: 

“Se não deixares voluntariamente as missas, as vigílias e tudo o que se opõe ao Evangelho, deixá-lo-ás contra a vontade. Exijo uma resposta definitiva: Sim ou não, e isso até domingo próximo, pois a minha paciência se esgotou” (W. Erl. 53 p.269). 

Dez dias depois pregou com tanta veemência sobre o caso, que a população ficou exaltada e disposta a tudo. Correu para as casas do conselheiro, vociferando e ameaçando de morte, quebrando as vidraças da casa do Decano e exigindo fosse executada a vontade de Lutero. 

Diante deste excessos o Capítulo cedeu, e na festa de Natal de 1524 foi definitivamente abolido o Santo Sacrifício da Missa. Lutero triunfou.


4. ADVERSÁRIOS DO REFORMADOR


Não pensemos, entretanto, tenha faltado resistência a Lutero. Houve até firme e decidida oposição, tanto dos amigos da Igreja, como dos próprios afeiçoados de Lutero. 

A primeira barreira contrária que o reformador teve de encontrar foi a de Erasmo, um holandês, professor na Universidade de Rotterdam e amigo do ex-monge. Assistia calado o movimento revolucionário de Lutero e não tencionava entrar em luta. A pedido, porém, de diversas autoridades, como Henrique VIII, Jorge de Saxe, o Imperador e o próprio Papa Adriano VI, resolveu refutar os pontos que julgava fracos na doutrina de Lutero. 

Receando a intervenção de Erasmo, o reformador lhe escreveu em 1524: 

Não escrevas contra mim; não aumentes o número e a força de meus adversários.

“Sobretudo não publiques nada contra mim, como eu não o farei contra ti” (Corresp. IV. 319). 

Lutero professava a negação da liberdade humana para exaltar A MISERICÓRDIA DIVINA. 

Contra este ensino Erasmo publicou em 1524 o seu: DE LIBERO ARBITRIO DIATRIBE, escrito num latim elegante e apoiado sobre os Santos Padres e a tradição dos séculos passados. 

Infelizmente Erasmo, defendendo o livre arbítrio, inclinou-se excessivamente para este lado, atribuindo importância demasiada à vontade do homem e quase nenhum à graça divina. 

Com este ponto, o seu livro DIATRIBE, embora contivesse bons argumentos, não satisfazia plenamente à aspirações católicas. 

O próprio Melanchton sentiu a nímia moderação de Erasmo e lhe agradeceu esta concessão (Corp. ref. 1.675, 80. Set. 1524). 

Lutero sentiu bastante o golpe, mas só depois de passado um ano é que se resolveu responder, para deixar cair um pouco no esquecimento os argumentos de seu adversário. Foi escrito: DE SERVO ARBITRIO, uma brochura de polêmica veemente, embora repleta de contradições e desprovida de exegese séria, onde sem reserva o reformador expôs as suas idéias de determinismo e panteísmo grosseiro. 

O tema sempre repetido é: A majestade de Deus e a exclusividade da sua ação devem ser exaltadas pelo esmagamento do homem (W. W. XVIII: 711). 

No terreno puramente católico o primeiro campeão que enfrentou o reformador foi o Dr. João Eck, o vencedor da discussão de Leipzig. Dr. Eck, em corpo e alma, era a expressão da nobreza e da força. 

Após a sua primeira vitória sobre Lutero, ofereceram-lhe dignidades, porém ele humildemente tudo recusou, dizendo desejar permanecer a vida inteiro um simples mestre-escola (Jansen Pastor VII. 593). 

O nobre lutador católico suportou com paciência admirável as zombarias e as calúnias dos luteranos; lutou até à hora da morte, em 1543, em defesa da Igreja, e as exposições doutrinais do sábio bávaro triunfavam sobre todos os ataques adversos, ao ponto de o próprio Lutero jamais desejar discutir com ele, contentando-se em insultá-lo e zombar dele. 

Entre vários livros de valor deixou o “Manual contra os luteranos!, que no ano 1600 já contava 50 edições. 

Johan Cochleus foi outro batalhador antiprotestante. 

No começo, quando Decano de Francfort , havia sido por um instante atraído e quase seduzido pela eloquência de Lutero, porém em 1520 virou-lhe as costas e declarou-lhe uma guerra sem tréguas pela pena, publicando perto de 200 refutações ao erro. 



É conhecido o seu livro “Lutero de sete cabeças”, em que demonstra as continuas contradições do reformador. 

Os livros de Cochleus são uma fonte de preciosas informações, embora pareça ter caído algumas vezes no exagero, escutando a repulsa que lhe inspiravam os erros do adversário. 

Outro inimigo perspicaz e ativo de Lutero foi o padre Johan Faber. 

A princípio fez-se um testemunho mudo do movimento reformista; vendo, depois, porém, a má fé, as mentiras e as violências de Lutero, entrou na liça, vibrando à reforma golpes esmagadores e cheios de ciência e lógica, em três produções de valor que publicou de 1522 a 1530. 

Em 1530 o Padre Faber foi nomeado Bispo de Viena, pelo Papa Clemente VII; ali continuou as polêmicas até 1541 quando veio a falecer. 

Outro defensor dos direito da Igreja foi JORGE WITZEL. Seduzido um instante pelo escritos de ERASMO, este sacerdote instruído e sincero chegou a violar o voto do celibato, contraindo matrimônio; logo depois, porém, compreendeu os erros e voltou contrito ao seio da única Igreja verdadeira, formando-se um polemista indômito da verdade contra os erros em foco. 

Nenhum outro antiluterano foi mais perseguido e atacado pelos protestantes, que se sentiram esmagados pela lógica e dialética vibrante dos mais de 1200 escritos do incansável polemista. Muitos outros, Bispos e Sacerdotes, levantaram-se para defender o depósito divino da verdade, entre os quais convém assinalar o célebre jesuíta Pedro Canísio que mais tarde seria elevado às honras dos altares e proclamado Doutor da Igreja. 
Infelizmente a decadência era grande para que esta legião de heróis pudesse salvar a sociedade que se debatia nas dúvidas do espírito, nas ambições do orgulho e na corrupção da carne. 

5. “O MONGE” E OS FANÁTICOS 

Em seu próprio partido iria o “chefe reformista” encontrar muitos inimigos. 

É um dos fenômenos que sempre se manifestam entre os deformadores ou sectários de novidades mentirosas: o mestre põe os princípios; e os discípulos tiram conclusões, por ele não previstas, as quais destroem os seus próprios princípios. 
São sequazes fanáticos, pretensos iluminados que não pretendem adotar um reforma, mas utilizá-la em proveito próprio. 
Tais fanáticos encontraram extenso campo nas doutrinas de Lutero: SÓ A BÍBLIA, sem boas obras; interpretação individual, independente;; só a fé é necessária para a salvação; tudo isso era uma porta aberta para saírem do edifícios doutrinal que Lutero pretendia edificar e um meio de combater as suas próprias doutrinas. 
Lutero apresenta-se aqui como uma anomalia curiosa: é um sectário e diz-se um iluminado de Deus. Ele mesmo o afirma se nega ao mesmo tempo. 
Um recém pervertido, Möhler, perguntou-lhe certa vez se ele deixara definitivamente a Igreja Católica para seguir a sua próprio inspiração: 
“Não” responde o herege, “Eu nunca deixei a Igreja Católica. No papado há muito coisa boa, é ali que se encontra o verdadeiro Batismo, o Sacramento do Altar, o Catecismo verdadeiro... É no papado que se encontra o verdadeiro cristianismo” (Luther em Ochummenisckerr Sicht, Art. V. A. Hansen, pg. 92). 
Ele reafirmou que sempre continuaria a ser membro desta Igreja. E, depois contradizendo-se, ajunta: 
“Só o Papa, diz ele, conforme a minha convicção, é o Anticristo, que corrompeu tudo na Igreja, e eis porque o ataco sem dó nem tréguas”. 
Curiosa mentalidade! Um homem que suprimiu a Missa, a hierarquia, as indulgências, e tanta coisa mais, acusava-se de ter rejeitado unicamente o papado. 
O pobre reformador eras visivelmente um desequilibrado, um obsesso, como o vimos verificando a cada página desta história. 
Perguntando-se a Lutero quais os fanáticos, os heréticos de seu tempo, ele os indicou nestas palavras escritas certa vez a um amigo: 
“Para que pensas em teus pecados? Tivesses tantos pecados como os têm Zwinglio, Carlostadt e Münzer e todos os ateus, a fé em Cristo os apagaria todos”. 

Examinando-se de perto o pensamento do reformador, verificamos ser a oposição às idéias dele ou o delas se afastar o único pecado possível aos seus discípulos, pois Lutero julgava-se chamado por Deus, outorgando-se o direito de condenar quem não pensasse como ele. 

6. OS FALSOS AMIGOS DE LUTERO 

Lutero recorreu a vários Padres e Frades apóstatas para estender a sua obra nefasta; como sempre acontece, porém, em tais questões, estes cooperadores não eram amigos de coração, mas simplesmente de interesse e de vício. 

O orgulho e a sensualidade eram as duas escadas por meio das quais, apenas ambicionavam galgar posições, que de outro modo não poderiam conseguir. 

Tais amigos eram mais imitadores dos exemplo de Lutero do que de sua doutrina, embora muito íntima fosse a relação entra as duas coisas. 

Lutero ensinava que cada um poderia interpretar livremente a Bíblia, sob a inspiração do Espírito Santo, independente de qualquer autoridade. 

Assim o doutrinava e assim procedia. 

Era lógico que os seus companheiros fizessem como ele. Era um direito que lhe assistia e de que pretendiam aproveitar, fazendo-se cada qual doutrinador por própria conta e risco, sem consultar o mestre que se julgava o detentor exclusivo da reforma. 

Isto era para o chefe o maior dos pecados. 

Enquanto o monge apóstata dizia: “Eu possuo a inspiração do Espírito Santo”, os seus seguidores respondiam: “Nós também a possuímos”. E se acusavam mutuamente de interpretações errôneas e falsas da Sagrada Escritura. 

Era a Babel da reforma; Carlostadt havia sido expulso de Wittemberg, na ocasião em que Lutero voltara de Wartburg. Daí, como judeu errante, percorreu vários lugares, entrou em relação com o rebatizador Tomás Münzer, e, enfim, fixou-se em Strasburgo. Encontrou ali braço forte em Zwinglio, Capito e Butzer , outros fanáticos, e começou logo as suas depredações, quebrando as imagens, destruindo altares, quadros e tudo o que a arte Católica havia acumulado como expressão de fé e piedade. 

Pouco depois Lutero dirigiu as suas baterias contra Carlostadt: 

“É preciso tapar a boca deste diabo e de seus sequazes” diz ele, “Pode ser que ele não queira matar ou semear a revolta; neste momento, porém, devo dizer que tem um espírito assassino e revolucionário. É um diabo secreto e traidor.”. 

Falando sobre os companheiros de Carlostadt, Münzer e Valentin leckelsamer, o reformador acrescentou: 

“Que temos a fazer aqui com um homem irracional? A inteligência fica humilhada até à pele de um diabo, que não sabe senão blasfemar e profanar o que Deus diz e fez” 

Polêmicas veementes e insultantes travavam entre si Lutero e seus antigos discípulos. 

Enfim, Carlostadt e seus companheiros tiveram de ceder diante da violência dos ataques de seu mestre e, sobretudo, diante do poder civil que o apoiava. 

Münzer não poupou Lutero. Eis um simples tópico escrito contra ele, zombando de seu orgulho: 

“Com toda a sua hipócrita humildade ele se apresenta como um papa, que entrega aos príncipes conventos e igrejas. Fala da “nossa proteção”, como se fosse um príncipe. E, seu orgulho apresenta-se, como se houvesse nascido estrela. O pretensiosíssimo sábio e doutor, o mentiroso Lutero, caça e persegue os demais. Como cão do inferno ou uma serpente que se arrasta por cima dos rochedos”. 

Em outro lugar ele chama Lutero: “A virgem Martin”... Que virgem pura... o monge sem vergonha partidário dos ricos e suculentos festins”. 

Lutero não se deixou suplantar em insultos, pois nisto era invencível. 

A discussão tornou-se, sobretudo violenta contra Zwinglio.



Mandaram-se ambos, devotamente, ao diabo, cada qual com maior vontade. (Audin: Luther II. p. 356).

Em uma conferência, que tiveram em Marburg, insultaram-se com horríveis anátemas, tratando-se de: diabo, filho de satã, etc... E talvez os dois tivessem razão.

“Zwinglio é um individuo satanizado, insatanizado, supersatanizado”, dizia o chefe da reforma.

“Lutero está possuído do demônio, parece uma porco grunhindo, num jardim de flores”, retorquia Zwinglio. Ao saber da morte de Zwinglio que tombara no campo de batalha quando, à frente de suas tropas, tentava invadir a Suíça para protestantizá-la, o chefe exclamou:

“É bom que Zwinglio a Carlostadt fique esmagados... Zwinglio morreu como um assassino, porque quis forçar os outros a abraçarem os seus erros” (Schlaginhhaufen Aufzeichnungem p. I).

E, assim por diante. Contentemos-nos com esta amostra da linguagem desabrida dos primeiros protestantes.

7. CONCLUSÃO

Neste ambiente, e graças ao impulso de tais homens é que o protestantismo se foi alastrando, para suscitar, em toda parte, o ódio, a perseguição, a dúvida e o ateísmo.

EX TRUCTIBUS EORAM COGNOSCETIS EOS: “Conhecê-los-eis pelo seus frutos”, havia dito do divino Mestre.

Desde Lutero até hoje o protestantismo vem sendo espalhado quase exclusivamente por sacerdotes apóstatas e pessoas viciadas, incapazes de se manterem na altura de sua dignidade e da virtude de seu estado.
Bastava assinalar estes fatos do exórdio do protestantismo: nem é preciso passo a passo seguir os seus progressos, na Alemanha, na Suíça, na Suécia e Noruega, na Holanda e noutros países onde foi penetrando, sempre baseado sobre os mesmos motivos e usando os mesmos meios, para se concluir com absoluta certeza:
- O protestantismo está viciado na base. Não é uma religião, mas um esforço destruidor de toda religião.
Reflitam os protestantes bons, mas iludidos e ignorantes, e julguem onde está a verdade: se com a eterna Igreja Católica Apostólica Romana ou com a seita de Lutero, Zwinglio, Carlostadt e outros fanáticos e viciados, que constituem uma vergonha para a sociedade, um nódoa negra para a história da Reforma e a prova sensível da falsidade da seita por eles promulgada.

2 comentários:

Alcir Filho disse...

Fazia tempo que não lia tanta "abobrinha" junta. Quase não acreditei que em pleno século XXI ainda escutaria reminscências de um pensamento medieval deturpado, que demonstra o total desrespeito a fé, a Cristo e a História.

Lamento profundamente a superficialidade dos textos, que desconsidera a importância da Reforma. Só como exemplo, se a mesma não houvesse ocorrido nem se teria um blog como este, pois lhe seria vedado o estudo das escrituras e por conseguinte o acesso a informação.

Se dependesse do pensamento medieval defendido de forma tão equivocada por este blog, a ICAR não teria permitido nem a divusão da prensa de Gutemberg, que só encontrou espaço inicialmente nos países protestantes. Talvez estivessemos em algum feudo, sendo servos, explorados pela nobreza e clero, analfabetos. A dita "Idade das Trevas" talvez tivesse durado dois mil anos, ao invés dos mil a que fomos submetidos.

Esta visão maniqueísta, pobre, míope, é uma afronta para a própria ICAR, que desde o papado de João Paulo II tem adotado uma linha mais contemporânea.

Estude mais. Veja como caminhou a humanidade, perceba que erros ocorreram em toda a cristandade, e saia do pedestal.

Até se esse blog fosse de comédia, possibilidade leventada pelo quão rídiculos são os argumentos postos, deveria optar por algo mais leve e bem humorado. Demonstraria uma certa inteligência da parte ds autores.

OSWALDO disse...

Reles opinião descompanhada de quaisquer documentação que venha em socorro de suas afirmações. Gozado como os rebelados protestantes se julgam donos da história, mas sem nenhum respeito, tal é o seu caso, como todos os ignorantes chamam a Idade Média como a idade das trevas, ignorando profundamente a verdadeira história que a chama de a "Idade das Luzes".