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segunda-feira, 8 de junho de 2009

MELHOR QUE NÃO TIVESSE NASCIDO! - DLP-XII

Sua vida, tão triste e tão baixa, foi como que a luta titânica do inferno contra o rochedo indestrutível de Pedro.

Lutero caiu... vencido... como Juliano, o apóstata... e, como ele, talvez murmurando: Pedro, venceste, como o imperador gritara: Venceste, Nazareno!

Sim, Roma, a indestrutível, venceu... como sempre ela tem saído vitoriosa... e, enquanto em Wittemberg confiavam à terra os restos mortais do reformador já em putrefação, o Papado, cheio de vida e de glória, levantava a fronte, e com aquela mão que a morte não consegue abater, construiu o maior e o mais belo monumento da vida cristã: O GRANDE CONCÍLIO DE TRENTO.

Não podemos silenciar esta reação católica, em nome da fé e da verdade, a qual se pode denominar: contra-reforma.

CAPÍTULO XII


A CONTRA-REFORMA



Lutero desceu à sepultura, depois de uma morte atribulada e cheia de remorsos. Dele, como de Judas, pode-se repetir a palavra de Jesus Cristo:
"Bonum erat ei natus non fuisset" (Melhor fora, para ele, se não tivesse nascido) (São Mateus 26,24).


CONCÍLIO DE TRENTO .....................


Sua vida, tão triste e tão baixa, foi como que a luta titânica do inferno contra o rochedo indestrutível de Pedro.
Lutero caiu... vencido... como Juliano, o apóstata... e, como ele, talvez murmurando: Pedro, venceste, como o imperador gritara: Venceste, Nazareno!
Sim, Roma, a indestrutível, venceu... como sempre ela tem saído vitoriosa... e, enquanto em Wittemberg confiavam à terra os restos mortais do reformador já em putrefação, o Papado, cheio de vida e de glória, levantava a fronte, e com aquela mão que a morte não consegue abater, construiu o maior e o mais belo monumento da vida cristã: O GRANDE CONCÍLIO DE TRENTO.
Não podemos silenciar esta reação católica, em nome da fé e da verdade, a qual se pode denominar: contra-reforma.


1. O CONCÍLIO DE TRENTO


Conforme vimos no desenvolvimento das peripécias da ignóbil existência do monge revoltoso, desde o princípio levantaram-se vozes pedindo um CONCÍLIO GERAL, julgando deveras oportuno, para resolver as contendas e restabelecer a unidade da fé, que se tentava esfacelar.
Grandes dificuldades, porém, se opuseram à realização projetada.
O Papa Paulo III considerava reunião conciliar como a principal missão de seu Pontificado; mas os tempos agitados, a desunião entre as autoridades, as agitações e revoltas contínuas dos protestantes não lhe permitiram realizar tão justa aspiração.
........XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX.. DIÁRIO DO CONCÍLIO DE TRENTO As cidades de Mântua e Vicência haviam sido indicadas para centro de reunião, que ali não se efetuou; só em 1542 é que se tornou possível a escolha da cidade de Trento, também sem resultado; deste modo a convocação definitiva ficou para 1545, ano em que Lutero começou a sentir os primeiros abalos de saúde.
Foram celebradas as primeiras sessões no Advento deste mesmo ano, com um reduzido número de assistentes.
Tudo se empenhou para fazer desta assembléia uma das mais importantes da história da Igreja: cinco Papas dirigiram sucessivamente os trabalhos do Concílio em circunstâncias excepcionalmente graves.
Os assuntos tratados, as decisões tomadas, servem até hoje de norma à sociedade cristã.
O Concílio foi duas vezes interrompido, primeiramente devida à agitação dos tempos, e depois por causa das lutas entre a França e a Alemanha.
O Concílio constou de 25 sessões, a que assistiram mais de 200 cardeais, Arcebispos e Bispos, 7 Superiores Gerais de Ordens, e grande número de representante de Bispos ausentes por graves razões.
Os chefes protestantes, convidados à reunião, recusaram-se a comparecer.
Seis doutores da reforma falsificaram, mais tarde, os atos conciliares em sua chamadas centúrias de Magdeburgo.
Cantu escreve com razão, a respeito da reunião de Trento:
“Nunca monumento mais majestoso foi construído por uma assembléia mais augusta, tendo por base o ensino tradicional e a disciplina antiga. Erro algum foi poupado nestes decretos de fé, formulados com tal clareza, que excluem qualquer equívoco e feitos com tanto rigor que não admitem subterfúcios”.


Não há melhoramento fecundo quer não tenha sido incluído neste cânones e decretais, tão bem concebidos que se dobram admiravelmente às necessidades do tempo, adaptando-se às transformações sociais.
O Concílio ocupou-se simultaneamente do dogma e da moral, ou da doutrina e da reforma, publicando deste modo decretos dogmáticos e decretos disciplinadores, preparados por comissões particulares, discutidos depois em reuniões públicas e logo votados individualmente.
O Concílio de Trento foi o tiro mortal ao protestantismo que, desde então, não passa de um defunto ambulante, forçado a agarrar-se, desesperadamente, às autoridades civis para não cair em putrefação imediata.
Em vez de refutar, um por um, os erros de Lutero, será o bastante citarmos as diversas decisões tridentinas, para conhecer as objeções protestante e a resposta clara e insofismável, ditada pelos padres e publicada no catecismo então organizado, que é talvez o código mais teológico, mais simples e mais claro até hoje publicado sobre os assunto em discussão.
Podem reduzir-se a nove os decretos daquela assembléia, restabelecendo a verdade atacada, contra os erros introduzidos pela deforma do apóstata de Witemberg.


2. SAGRADA ESCRITURA E TRADIÇÃO

O ponto central do protestantismo, o princípio que o levaria a todos os piores abusos, era o LIVRE EXAME da Sagrada Escritura. 
Todos podem ser Papas, todos são inspirados pelo Espírito Santo, afora o Papa, tal era a grande regra de Lutero.
Ora, com tal princípio não havia erro algum no mundo que não pudesse agasalhar-se nas páginas do livro Santo.
Urgia, pois, restabelecer a verdade e determinar claramente a única verdadeira maneira de interpretar a Bíblia.
O Concílio começou, pois, por fixar o cânon do catálogo dos livros inspirados, estabelecendo a Regra de interpretação.
Assim reza o primeiro decreto:
“O Santo Concílio de Trento, ecumênico e geral, legitimamente reunido sob a direção do Espírito Santo, considerando que as verdade de fé e as regras de costumes estão contidas no livros escritos, ou quando não escritos, se acham nas tradições recebidas pelos Apóstolos da boca do próprio Jesus Cristo, ou transmitidas, pelo apóstolos, como o Espírito Santo as havia ditado, chegando de mão em mão até nós, recebe de acordo com o exemplo dos padres ortodoxos, todos os livros quer do Antigo, que do Novo Testamento, assim como as tradições que dizem respeito à fé e aos costumes conservados por uma sucessão ininterrupta, e os abraça com igual sentido de respeito e piedade”
Todos os livros da VULGATA foram depois proclamados autênticos, e aprovada a edição revista da Vulgata, como fazendo autoridade nas discussões e preleções públicas.
Condenando a LIVRE INTERPRETAÇÃO da Bíblia, o Concílio estatui expressamente, sob pena de anátema:
“Ninguém, por confiança cega, tenha a ousadia de desviar a Escritura Sagrada para o seu sentido particular nem de achar uma interpretação oposta à da Santa Igreja à qual assiste o direito exclusivo de interpretar a verdadeira significação das Escrituras, conforme ao sentimento unânime dos Padres” (Sessão IV).

3. O PECADO ORIGINAL

Na teoria protestante, o pecado original estragou completamente a nossa natureza; daí o duplo e monstruoso absurdo:
“Não há mais em nós livre arbítrio e todas as nossas obras são más; inútil, portanto, esforçarmos-nos por praticar ações boas”.
O Concílio enuncia com clareza a verdade católica:
“Transgredindo a lei de Deus, Adão perdeu a santidade e a justiça, em que fora criado; atraiu sobre si a ira de Deus, tornou-se escravo do demônio e sujeito à morte. O primeiro homem, porém, não prejudicou somente a si próprio; transmitiu à sua posteridade o pecado, que é ruína da alma, e, com o pecado, a dor e a morte. Este pecado não pode ser apagado só pelas forças da natureza, mas pelos méritos de Jesus Cristo, o único Medianeiro, que nos reconciliou com Deus por seu sangue; estes méritos de Jesus Cristo são aplicados, tanto aos adultos como às crianças, pelo Sacramento do Batismo.
O Batismo é necessário a todos, segundo a palavra do Nosso Senhor. Pela graça do Batismo, a mácula do pecado original é verdadeiramente perdoada e apagada.
O Concílio reconhece, todavia, e confessa que as concupiscências permanecem naqueles que foram batizados, neles ficando como um antagonista contra o qual tem de lutar, sem jamais saírem prejudicados os que lhe resistem valentemente com a força de N. S. Jesus Cristo” (Sessão V).
O Concílio exprimiu terminantemente não incluir neste decreto, de modo algum, a Virgem Maria, Mãe de Deus.

4. A JUSTIFICAÇÃO

A opinião de Lutero era que o homem é justificado unicamente PELA FÉ em Jesus Cristo;Calvino pretendia que o homem assim santificado se torna impecável e não pode mais perder a graça.
O Concílio nos descobriu a plena luz da verdade. Admitiu a fé como raiz, fonte e algo imprescindível para a justificação, mas não como CONDIÇÃO ÚNICA, pois é preciso ainda observar os mandamentos e praticar boas obras. Com a prática destes últimos, a graça cresce e, contrariamente à doutrina protestante, perde-se pelo pecado; longe, portanto, de termos essa confiança imperturbável da nossa salvação,não podemos, enquanto dura esta vida mortal, presumir da nossa predestinação para a salvação eterna, pois ninguém tem certeza de sua salvação final.
Verdade é, que perdida a graça santificante, pode o homem reavê-la pelo sacramento da penitência, que é a segunda tábua salvadora depois do naufrágio; mas para isso se necessita da contrição, da confissão sacramental, quando possível, e da satisfação.
Enfim, a justiça alcançada, ou recuperada, pode e deve ser aumentada pela oração, pela mortificação, pelo cumprimento da lei de Deus e dos preceito do Evangelho.
Deus não nos pede o impossível, e seu socorro é certo para quem o implora humilde e confiadamente (Sessão VI).

5. SACRAMENTOS EM GERAL.

Anteriormente havia o Papa Eugênio IV exposto de maneira admirável a doutrina sobre os sacramentos, em seu Decreto aos Armênios.
Não julgou o Concílio necessário repetir esta explicação, limitando-se a indicar o número deles, sua instituição divina, sua virtude santificante e sua eficácia, independente da santidade do ministro.
A respeito do Batismo, os anabatistas exigiam a sua renovação para os adultos, sob pretexto de não ser a criança capaz de produzir um ato de fé; por outra parte, Lutero, franqueando as portas mais largas aos apóstatas que desertavam dos conventos, tinha declarado que apenas as promessas do batismo eram obrigatórias e anulavam todos os demais votos, mesmo ulteriores.
A confirmação ficou sendo, como sempre fora, verdadeiro sacramento da nova lei e os bispos seu ministro ordinário (Sessão VII).
Os outros sacramentos, combatidos mais violentamente pelas doutrinas protestantes, foram objeto de estudo mais apurado e de definições mais extensas.

6. A EUCARISTIA

A reforma apresentava uma balbúrdia inexplicável a respeito do Santíssimo Sacramento do Altar.
O Concílio com uma perspicácia e segurança, onde era sensível o sopro do Espírito Santo, firmou com precisão a verdade opugnada.
Em primeiro lugar afirmou solenemente a PRESENÇA REAL: - “Depois da consagração do pão e do vinho, Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, é contido, verdadeira, real e substancialmente, sob as aparências destas coisas sensíveis, segundo as próprias palavra de Jesus Cristo, referidas no Santo Evangelho.
Jesus Cristo está debaixo da espécie do pão, e, debaixo de cada uma das suas partes, não somente no momento da Comunhão, mas de modo permanente”.
Lutero acreditava na presença real, mas não na transformação das espécies.
O Concílio lhe opôs a fé católica:
“Pela consagração faz-se uma conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Nosso Senhor; e de toda substância do vinho no seu sangue; e esta mudança é chamada pelo Igreja Católica: TRANSUBSTANCIAÇÃO.

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